Purple Shout ♥
chá morango púrpura
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Merry Christmas

Ah o Natal. Época de paz, amor e business.
Tenho que levar o ano inteiro da maneira mais econômica possível, pois não ganho semanalmente, e sim mensalmente, portanto o 13º que veio pra compensar todos os meses que tem 5 semanas, e não 4, é usado na compra de presentes e ainda saio devendo!
Falência multipla dos bens.
Ah o Natal... época em que fingimos que o amor é superior a qualquer rancor que você guardou durante o ano todo, a qualquer avareza(na hora de comprar o presente), a qualquer cobiça(na hora de ganhar) e acima de tudo a qualquer decepção, quando o que vale não é a intenção e sim a utilidade do presente.
Êta capitalismo que nos faz esquecer de Jesus.
Na ceia familiar, rancores nos enfeites natalinos, nas paredes, nas vozes e nos olhares.
E ainda todo aquele amor. Porque se a gente ama, a gente se decepciona.
Quase um masoquismo. Briguei com titio, mas feliz natal, muitas felicidades.
A vó da gente é doce e cozinha as melhores comidas! Será pra corrigir erros com os filhos, através dos netos?
Ainda assim ela não tolerava indisciplina. Ai de mim se eu contestasse!
Eu me decepciono com meus pais mais do que com os xiitas.
Às vezes pareço criança que faz sua mochila e tenta fugir de casa. Ah, eu quero trocar de família...
A verdade é que a decepção sempre virá como um susto, ainda que esperado.
Como aqueles filmes de terror, quando tá na faixa 3 da trilha sonora, você sabe que vem susto e ainda assim pula da cadeira.
Exceto quando você ganha um suéter feito por sua tia pelo oitavo ano consecutivo.
26 de dezembro de 2010 Lucy,

Ode a viajar sozinha

No ônibus, poltrona 19 - quebrada, escrevendo atrás de uma notinha fiscal.
Quase não contive as lágrimas quando descobri que esperaria o ônibus sozinha.
E o pensamento que estive evitando pousou em minha mente "E depois?" Ah, depois volta. Mas.. e depois?
toc toc toc - pessoa atrás da minha cadeira.
Sorrisinhos abafados da pessoa ao lado enquanto lê divertidamente seu livro.
Vrooom do ar condicionado.
snaps snaps dos pacotes de comida sendo abertos. Porque 1 h e 45 minutos de viagem é muito.
Oooops, acho que meu pippos também está aberto.
Tuft e a cadeira volta pro canto original.
Ahhh, desisto de tentar incliná-la.
O sol começa a queimar as maçãs do meu rosto, porque é claro que eu tinha que ficar do lado do sol.
Ah como eu queria um caderno para escrever descentemente. Mas, a nota fiscal é pequena, porque as compras também são...

Escrevendo agora em cartões de médicos que achei dentro da carteira. E depois? E DEPOIS?
ô perguntinha viu... 19ºC dentro do ônibus e eu ainda sinto o calor do seu corpo.
15:36 e eu já sinto falta dos 36 minutos longe de você.
Realbus reclamações, talvez eu ligue pra reclamar da cadeira, mas a telefonista vai transferir a ligação pra 32 setores diferentes...
-Pausa para tentar entender minha letra-
Celulares tocando. Porque o silêncio é tão raro?
É cof cof, atichim, alô alô e choro de criança.
Ô poltrona maldita. Maldito enjoo de viagem, cade meu dramin?
40 minutos agora... vou parecer muito desesperada se eu ligar agora?
Ah meu Deus eu estou sim desesperada!

E depois que o bilhete de passagem acabar, onde vou escrever? E depooois?
Não sei porque sempre achei que a paixão era algo ridículo. Talvez por ter sido criada sob olhos ameaçadortes de "humm está apaixonada é? HAHAHAHA!!", "Tá apaixonada ela iuuuuu". E daí porra?
Também não sei porque estou falando disso. Hum!
Mas tudo que eu sempre achei ridículo e fui criada pensando que era, vejo que são as coisas mais bonitas na realidade.
Acabo de receber uma mensagem dele. Viva! Ele também está com saudades, ufa.
Algum idiota no ônibus acha que todo mundo gosta das músicas do seu ipod.
Os sol está na minha cara, mas a menina ao lado só está conseguindo ler graças a ele e eu não quero ser uma pessoa egoísta. Dilema.
Ah, agora entendo o cara do ipod, ele está ouvindo Michael Jackson.
Mas realmente essa falta de silêncio não combina com esses campos verdes ao redor.

Bexiga cheia. Eu nem preciso comentar o contraste de esvaziar a bexiga em um ônibus em movimento e o tango argentino vindo do ipod do cara incoveniente.
Desisto.
Ah, vou dormir.

Ops, esqueci que a poltrona não colabora, o ar condicionado continua fazendo vrum e agora são duas pessoas achando que todo mundo curte seu som e o sol não está nem perto de se pôr.
17 horas, ta chegandoo!
Nããão, eis que a Polícia Rodoviária Federal para o ônibus e recolhe todas as identidades.
Adoraria dizer que eles identificaram alguém, que os cachorros latiram ao sentir cheiro de cocaína em alguma mala e que o traficante foi preso.
Mas não foi nada disso, devolveram as identidades e o policial anunciou que era apenas uma fiscalização normal, muito obrigado e ainda bateu a cabeça na tv.
Fim de viagem, vou ligar pro meu namorado.
Ops, celular descarregou.
20 de julho de 2010 Lucy,

Broken smile

Hoje eu quero a garantia de uma vida tranquila, com uma casa à beira-mar.
Quero meu sorriso sincero, sem exageros. Rir ou sorrir de forma simples é a verdadeira linha da felicidade.
Quero a água de coco ao deitar em minha rede e esquecer cada sorriso melancolico que dei um dia.
Quero ouvir JJ, e uma vez por semana RL, para que não haja exageros nem de calmaria.
Quero que as ondas toquem os meus pés, enquanto olho o sol sumindo e resurgindo no horizonte.
Además, necessito do óbvio, o som do vento e os latidos do meu cachorro quando o silêncio não for suficiente.
Quero sobretudo sentar ao teu lado na areia fina e macia, quando a solidão não me for mais necessária.
Finalmente, quero apenas uma caneta e um papel nas mãos, para que meu sonho seja verdadeiro.
26 de maio de 2010 Lucy,

Errante

Alguns dias tudo é tão mais difícil!
Parece impossível levantar, comer, sonhar, amar... correr.
Você olha em volta e percebe tudo ridiculo, nada cabe, as peças não se encaixam.
As vezes até sinto que meu corpo foi embora e me deixou só a alma.
Era divertido quando tudo fazia sentido ou era apenas conveniente...?
Mas minha nossa, é uma grande alívio admitir que as coisas nem sempre estão no seu devido lugar.
Me surpreendo ao refletir...
Estou em uma passeata, segurando uma enorme faixa: CHEGA DE TANTO DRAMA!
Com três ou quatro pessoas me seguindo, porque nunca andei em bando.
Protesto pelos que nos fazem sentir um pontinho de nada no mundo.
Reivindico a não intromissão das pessoas nas nossas vidas.
Mas, paro no meio do manifesto e deixo os outros seguirem.
Meu grito de guerra já esqueci. Rasgo a faixa e rasgo minhas lágrimas. Dou a volta, vou embora.
Continua ruim e eu ainda não tenho um sonho, mas acho que posso ter semana que vem.
Escuto aquela música, olho pra você e simplismente pulo, como se amar não fosse um risco.
25 de maio de 2010 Lucy,

Cantiga de amigo

Descobri que o amor é feio.
Ele se fez mentiroso pra mim.
As pessoas colocam maquiagem e perfume no tal amor, então ele nos engana e mostra sua falsa beleza... Tendemos a achar que o amor é como os as das trovas medievais europeias. O procuramos nas linhas dos mais belos poemas. Acreditamos nele assim, porque é conveniente.
Achamos que se ama certo e se ama errado. Ah, você não soube amar! Ora, quem disse que tem um jeito certo?
Só se ama uma vez e é pra sempre... Já achei até que não se podia ficar longe do amor! Ilusão.
A gente sempre espera a pessoa certa aparecer, espera tanto que esquece de planejar como será quando ela desaparecer.
De tanto amar só, não entendi o que era amor.
O que eu sei é que o poeta sempre ama com dor e o devasta, pra poder sentir da melhor e da pior forma.
Se ama com paixão? Apaixona-se com amor? Um existem sem o outro e o outro sem um?
Falsificamos o amor, de modo que ele preencha todos os requisitos para ser nossa metade, para que seja pefeito. Não quero mais essa maquiagem. Quero o amor feio e tosco como é, para que eu não me engane.
Descobri. O amor não é aquele idealizamos. Talvez devessemos dar outro nome pra amor, porque essa droga de nome já vem com uma carga de perfeição que - escutem bem - não existe!
Se você viver esse sentimento, amigo, saiba que vai cortar um pedaço de alguém, mais cedo ou mais tarde.
Está ai a dura verdade.
O amor am-puta.
18 de maio de 2010 Lucy,

Carvão

O que era algo muito bom, tornou-se nocivo a sua existência.
Você se vê então dependente emocional dessa doença tóxica.
Vou parar, vou parar. Estou certa disso. Até quantas horas dessa vez?
Então você descobre o que é vício.
Estimula, depressia, perturba. Mata.
Sabe que no fundo sempre vai querer o entorpecente, sempre. Mas ele te destrói. Ai é quando você decide pateticamente parar.
E quando a própria substância decide desintoxicar-se de você?
E quando é o seu corpo que é rejeitado pela droga?
Como se livrar dessa doce dependência que se transformou em psicose? Que te proporcinava perda de contato com a realidade e o brilho eterno, confundindo teu cerebro de forma permanente. Ao mesmo tempo que trazia sensações estimulantes e agradavéis, destruía e decompunha sua massa cinzenta.
O alucenógeno então, penetra na sua mente, invade sua casa, se mantem. Impregna.
A calmaria converte-se em agressividade, transmitindo negatividade a você e todos a sua volta.
Não quero ser a droga da tua mente - da forma mais ambígua possível!
As vezes a gente tem que simplismente deixar as coisas para trás... Embora, para o viciado, as drogas sempre serão os diamantes mais lapidados...
17 de maio de 2010 Lucy,

Caíssa

Estou falando e GRITANDO!
Você não escuta?
Mentira! Você tem ouvido tudo, tem compreendido tudo.
Todo mundo sempre soube no que dava ser assim.
Então você malvadamente ignora.
Indiferença destrói cada amarga esperança que sempre resta.
As vezes me sinto um peão nesse tabuleiro, debilmente nunca simpatizei pelos peões.
De palavra em palavra - ou jogada em jogada - me pergunto se ainda lês minhas prosas e poesias, minhas verdadeiras dicas de "estou aqui, permaneço".
Xeque.
Muda, muda o peão. Se ele não se interessar, talvez ignore minha posição e jogue de outra forma. Estratégias, planos.
Oh! Lá se vai meu outro cavalo.
Recordo-me de quando corríamos entre as torres, econdidos da realeza...
As torres já foram tomadas e somadas a todos os saquifícios desse tabuleiro.
Quando isso ficou tão preto e branco?
Antes da minha próxima jogada eu digo "EI! Como assim? não tá me vendo?"
TIC TAC, sua vez.
Cada jogada exigia uma forma diferente de desafiar a honra do outro oponente.
Literalmente uma guerra, enquanto eu pedia ajuda.
Se eu ao menos me fizesse rainha, seria o espelho deste jogo, sem as horríveis limitações de todos os outros participantes.
Terivelmente normal e quase congelada neste jogo, tento chegar a uma casa vazia.
Casas ocupadas não me interessam.
Depois de tudo, ironicamente você vem e me fala "Um empate?"
Você não entende? Não é no jogo que eu estou interessada. E você nem sabia do que eu estava falando, afinal.
Todo mundo sabe, não se deve repetir a mesma jogada pela terceira vez...
Mas o rei não está morto, não houve xeque-mate.
Então eu simplismente... o derrubo.
15 de maio de 2010 Lucy,

Elo

Eu lembro, foi naquela manhã de março.
Estava chuvoso.
Nos olhamos e é assim que tudo sempre começa.
A liberdade tornou-se um vício de repente...
Ainda lembro das notas musicais que ouvimos naquele pôr-do-sol chuvoso.
Lembro de perguntar se o fim do arcoris, visto através de teus olhos, escondiam duendes.
Todo arcoris esconde, afinal.
Eu não sabia seu nome, mas rimava com o meu.
De repente estavamos jogando cartas no ar, era tão engraçado!
A tarde cinza veio com um conjunto de fios coloridos cortando o céu e em 7 minutos te amei para o resto da vida.
Você tocou aquela música e comemoramos meses e anos de namoro no nosso único dia. E sem o menor romantismo eu já imaginava os fios do meu vestido de noiva.
Ai eu já não entendi mais nada. Tremi.
Já escurecera e os ventos sopravam para o lado errado, espalhando os cabelos no rosto indolente.
Chovia ao contrário.
Meu vestido desborara.
E o sonhos ficaram naquelas gotas de chuva que molharam o chão.

Ele morreu naquela noite.
13 de maio de 2010 Lucy,

Welcome to the tea party

A sala de jantar vista por trás do meu espelho me conduz a dúvida se é possível existir um novo mundo, onde seremos convidados a tomar chá em comemoração ao desaniversário dos meus sonhos.
Certamente trarei em meu bule chás próprios que reflitam meus ensaios ou receitas alheias que de alguma forma agradou o meu paladar com culinárias insosas e açucaradas.
Nessa party -feliz ou triste- lembremos o mais importante...

Enjoy the desserts.
12 de maio de 2010 Lucy,